Atualizado Março 2026

O seguro de transporte de cargas é um instrumento fundamental para qualquer empresa que movimenta mercadorias no Brasil — seja como transportadora, embarcador, distribuidor ou operador logístico. Em um país com dimensões continentais, malha viária complexa e índices de roubo de carga entre os mais elevados do mundo, operar sem proteção adequada significa expor o negócio a perdas que podem comprometer seriamente o fluxo de caixa e até inviabilizar a operação.

O Brasil possui um dos maiores sistemas logísticos da América Latina, com aproximadamente 1,7 milhão de caminhões em circulação e um volume anual de fretes superior a R$200 bilhões, segundo dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Nesse contexto, o mercado de seguros de transporte de cargas movimenta mais de R$8 bilhões em prêmios anuais, demonstrando a relevância e a maturidade do setor.

Um ponto central para entender o seguro de transporte no Brasil é a distinção entre dois produtos complementares: o RCTRC (Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Cargas) e o seguro de carga. O RCTRC é uma apólice obrigatória exigida pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) para toda empresa transportadora que opera no modal rodoviário. Ele protege o transportador contra a responsabilidade civil pelos danos causados à carga de seus clientes durante o trajeto. Já o seguro de carga propriamente dito é contratado pelo dono da mercadoria para proteger seu patrimônio independentemente de culpa ou responsabilidade do transportador.

As principais causas de sinistro no transporte de cargas no Brasil são roubo (que representa cerca de 40% dos sinistros nas regiões Sudeste e Centro-Oeste), colisão e tombamento de veículos, avaria por manuseio inadequado, danos por umidade e temperatura, e acidentes envolvendo terceiros. A proteção adequada deve contemplar todos esses riscos, ajustada ao perfil de carga, rota e frequência de cada operação.

Este guia completo — atualizado em março de 2026 — compara as cinco principais seguradoras de transporte de cargas no Brasil autorizadas pela SUSEP: Porto Seguro, Tokio Marine, Allianz, Bradesco Seguros e Mapfre. Você encontrará análise de coberturas, comparativo de preços, orientações sobre o RCTRC, requisitos da ANTT e um simulador gratuito para obter sua cotação personalizada em minutos.

RCTRC é obrigatório por lei: Toda transportadora rodoviária de cargas registrada na ANTT deve manter apólice de RCTRC vigente. A ausência dessa cobertura pode resultar em suspensão do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) e multas de até R$10.000 por infração, conforme a Resolução ANTT nº 3.658/2011 e suas atualizações.

Comparativo de seguradoras de transporte no Brasil

Para este comparativo, analisamos as principais seguradoras de transporte de cargas autorizadas pela SUSEP no Brasil. Os critérios de avaliação incluíram abrangência de cobertura, velocidade de regulação de sinistros, rede de prestadores, rating financeiro (Standard & Poor's / Fitch) e custo mensal médio para uma transportadora de médio porte com operação regional. Os preços indicados são estimativas mensais para uma frota de 3 a 5 veículos com carga média de R$80.000 por viagem.

Seguradora Cobertura Preço/mês Nota Destaque
Porto Seguro Ouro RCTRC + roubo + colisão + avaria R$100/mês ★★★★★ Melhor preço
Tokio Marine Prata RCTRC + cobertura ampla + carga especial R$280/mês ★★★★★ Melhor cobertura
Allianz Bronze RCTRC + RC transporte + danos a terceiros R$700/mês ★★★★½ Melhor custo-benefício
Bradesco Seguros RCTRC + roubo + assistência 24h R$180/mês ★★★★ Rede ampla no Brasil
Mapfre RCTRC + roubo + rastreamento incluso R$220/mês ★★★★ Rastreamento integrado

Preços estimados para frota de 3–5 veículos, carga média R$80.000/viagem, rota regional. Cotação real pode variar. Atualizado março 2026.

Análise detalhada por seguradora

Porto Seguro — líder do setor automotivo no Brasil, a Porto Seguro consolidou sua atuação no segmento de transporte de cargas com produtos acessíveis e ampla rede de reguladores. Com prêmio inicial a partir de R$100/mês, é a opção mais competitiva para pequenas transportadoras e empresas que iniciam suas operações logísticas. O atendimento em caso de sinistro é centralizado pela central 24h, com tempo médio de primeiro contato de 2 horas. A plataforma digital permite abertura de sinistros pelo aplicativo e acompanhamento em tempo real da regulação.

Tokio Marine — seguradora japonesa com forte presença no Brasil, a Tokio Marine é referência em seguros de transporte de alto valor. Sua cobertura inclui desde RCTRC até módulos específicos para cargas especiais (farmacêuticos, eletrônicos, alimentos refrigerados), além de assistência 24h multilíngue. O prêmio médio de R$280/mês reflete uma proposta de valor superior, ideal para operações com carga de médio e alto valor. O prazo médio de regulação de sinistros é de 10 a 15 dias úteis, abaixo da média do mercado.

Allianz — a alemã Allianz é escolha natural para grandes operadores logísticos e transportadoras com frota numerosa. Sua apólice de transporte incorpora módulos de RC Transportador, danos a terceiros e cobertura para operações multimodais (rodoviário + ferroviário + marítimo). O prêmio de R$700/mês se justifica pela amplitude das coberturas e pelo suporte jurídico incluído na apólice. A Allianz possui rating AAA de estabilidade financeira, garantindo segurança máxima na liquidação de sinistros vultosos.

Bradesco Seguros — a maior seguradora de capital nacional do Brasil oferece cobertura de RCTRC com assistência 24h e roubo. O destaque é a rede de oficinas credenciadas e parceiros de guincho distribuídos em todo o território nacional, incluindo localidades remotas. Com prêmio de R$180/mês, posiciona-se entre as opções mais acessíveis do mercado e é frequentemente escolhida por transportadoras que operam em múltiplas regiões do interior do país.

Mapfre — a seguradora espanhola diferencia-se pela integração nativa do sistema de rastreamento veicular ao contrato de seguro. O prêmio de R$220/mês já inclui monitoramento por GPS e alertas de desvio de rota em tempo real, eliminando a necessidade de contratar esse serviço separadamente. Essa característica é especialmente valorizada por embarcadores de carga de médio valor que precisam cumprir requisitos de segurança impostos por suas seguradoras de carga.

Atenção: Os prêmios apresentados são estimativas para fins comparativos. O valor real da apólice depende do tipo e valor da carga, das rotas operadas, do histórico de sinistros e das medidas de segurança adotadas pela empresa. Utilize o simulador da ComparaLatam para obter cotações personalizadas de cada seguradora.

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Preços e fatores que influenciam o custo

O prêmio do seguro de transporte de cargas no Brasil é calculado com base em uma série de variáveis que refletem o risco específico de cada operação. Ao contrário de outros seguros de massa, onde o preço é relativamente padronizado, o seguro de carga possui precificação altamente individualizada. Compreender esses fatores é essencial para negociar melhores condições com as seguradoras.

Principais fatores de precificação

Tipo de carga

Cargas de alto risco como eletrônicos, cigarros, bebidas e medicamentos pagam prêmios de 2 a 4 vezes mais altos do que cargas de baixo risco como granéis agrícolas ou materiais de construção.

Valor médio por viagem

O Limite Máximo de Indenização (LMI) define o valor máximo coberto. Quanto maior o valor da carga transportada por viagem, maior o prêmio. O LMI deve ser declarado com precisão para evitar sub-seguro.

Rota e distância

Rotas que atravessam estados com alta incidência de roubo de carga — como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais — geram tarifas mais elevadas. Operações interestaduais têm cálculo diferenciado das estaduais.

Frequência de viagens

Transportadoras com maior volume de viagens mensais geralmente negociam apólices anuais com prêmio global, obtendo descontos por escala. Seguros por viagem avulsa (averbação) têm custo unitário mais alto.

Outros fatores relevantes na composição do prêmio incluem: histórico de sinistros da empresa nos últimos 3 a 5 anos, existência de dispositivos de rastreamento e bloqueio remoto instalados nos veículos, perfil e experiência dos motoristas, tipo de veículo (baú refrigerado, tanque, plataforma), e existência de medidas de segurança adicionais como escolta armada ou escoltas de apoio para cargas de alto valor.

Faixa de preços por perfil de operação

Perfil de Operação Tipo de Carga Faixa de Preço / mês
Pequeno transportador (1–2 veículos, regional) Granéis, construção R$100 – R$250
Transportadora média (3–10 veículos, interestadual) Alimentos, vestuário R$300 – R$700
Operador logístico (frota acima de 10 veículos) Eletroeletrônicos, farmacêuticos R$800 – R$2.500
Transporte de carga especial Bebidas, cigarros, cargas perigosas R$1.200 – R$5.000+
RCTRC básico (obrigatório ANTT) Qualquer carga R$80 – R$200

É importante destacar que seguros com cláusula de averbação — modalidade em que cada embarque é comunicado à seguradora antes do início do transporte — permitem um controle mais preciso do prêmio e são obrigatórios para algumas categorias de carga especial. O não cumprimento da obrigação de averbação pode resultar em negativa de cobertura em caso de sinistro.

Empresas que investem em medidas de prevenção de perdas, como o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), podem obter descontos de 10% a 30% no prêmio anual. O PGR contempla treinamento de motoristas, protocolos de comunicação durante o trajeto, análise de risco de rotas e procedimentos de contingência para situações de emergência.

Coberturas disponíveis

O mercado brasileiro de seguros de transporte de cargas oferece três principais níveis de cobertura, que podem ser complementados por módulos adicionais conforme as necessidades específicas de cada operação. Conhecer cada nível é fundamental para contratar a proteção adequada sem pagar por coberturas desnecessárias nem ficar exposto a riscos relevantes.

Cobertura Básica
  • Roubo e furto qualificado da carga
  • Colisão do veículo transportador
  • Tombamento e capotamento
  • Incêndio e explosão
  • RCTRC (obrigatório ANTT)
A partir de R$100/mês
Cobertura Intermediária
  • Tudo da cobertura básica
  • Avaria por manuseio e carga/descarga
  • Rastreamento veicular integrado
  • Assistência 24h em viagem
  • Guincho e remoção de veículo
  • Perda parcial por umidade
A partir de R$220/mês
Cobertura Completa
  • Tudo da cobertura intermediária
  • RC Transportador (além do RCTRC)
  • Danos a terceiros em acidentes
  • Carga especial e perigosa
  • Transporte multimodal
  • Lucros cessantes por paralisação
  • Assistência jurídica incluída
A partir de R$700/mês

Coberturas básicas em detalhe

A cobertura de roubo é a mais acionada no Brasil, respondendo por cerca de 40% dos sinistros nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde concentram-se os principais eixos logísticos do país. As apólices cobrindo roubo exigem que o segurado cumpra uma série de salvaguardas: rastreamento GPS ativo com atualização mínima a cada 5 minutos, comunicação de posição ao gestor de frota em intervalos regulares, e acionamento imediato (geralmente em até 1 hora) após perceber o roubo. O não cumprimento dessas exigências pode resultar em franquia majorada ou negativa parcial de cobertura.

A cobertura de colisão e tombamento cobre os danos à carga resultantes de acidentes físicos com o veículo transportador. É importante verificar se a apólice cobre apenas a carga ou também danos ao próprio veículo, pois muitas vezes essas coberturas são separadas — a carga é coberta pelo seguro de transporte, enquanto o veículo é coberto por uma apólice de frota.

Coberturas intermediárias e complementares

A cobertura de avaria protege a carga contra danos físicos causados por manuseio inadequado durante as operações de carga e descarga, vibrações durante o transporte, e eventos como abalroamento de outros veículos. Para cargas frágeis (vidros, cerâmicas, equipamentos eletrônicos), essa cobertura é indispensável.

O rastreamento integrado oferecido por seguradoras como a Mapfre vai além do simples GPS: inclui monitoramento comportamental do motorista (frenagens bruscas, velocidade excessiva), alertas de desvio de rota programada e comunicação automática com a central de sinistros em caso de ativação do botão de pânico. Empresas que adotam esse módulo geralmente obtêm desconto de 8% a 15% no prêmio anual.

Coberturas completas para grandes operações

A RC Transportador Ampliada vai além do RCTRC obrigatório, cobrindo situações em que a responsabilidade do transportador não é automaticamente reconhecida, como avarias por embalagem inadequada do embarcador ou danos a mercadorias de terceiros transportadas em sistema de lotação parcial (LTL). Para transportadoras que operam no regime de carga fracionada, essa cobertura é altamente recomendada.

A cobertura de danos a terceiros protege a empresa caso o veículo cause danos materiais ou corporais a terceiros durante o transporte, de forma complementar ao seguro obrigatório DPVAT e ao seguro de frota. Para operações em regiões urbanas densas, onde o risco de acidentes envolvendo pedestres e outros veículos é maior, esta cobertura é essencial.

Dica profissional: Para cargas de alto valor como eletrônicos, joias ou medicamentos controlados, verifique se a apólice exige o uso de cofre veicular, embalagem lacrada com inviolabilidade rastreável e motorista com treinamento específico de segurança. Essas exigências de contrapartida são condição de cobertura em muitas apólices de seguradoras premium.

Guia para escolher o melhor seguro de transporte

Escolher o seguro de transporte adequado para sua empresa envolve uma análise cuidadosa de múltiplas variáveis: o perfil da operação logística, o tipo e valor das cargas transportadas, as rotas habituais, e os requisitos impostos por clientes, embarcadores e pela própria legislação. Este guia passo a passo foi desenvolvido para auxiliar gestores logísticos e empresários do setor de transporte a tomar a melhor decisão.

1

Mapeie o perfil da sua operação

Antes de solicitar qualquer cotação, levante informações essenciais: número de veículos na frota, tipo de carga habitualmente transportada, valor médio por viagem, principais rotas (estaduais ou interestaduais), frequência mensal de viagens e se há operações em regiões classificadas como de alto risco de roubo de carga. Quanto mais preciso for esse mapeamento, mais acurada será a cotação e menor será o risco de sub-seguro ou de franquias inesperadas.

2

Verifique a obrigatoriedade do RCTRC

Se sua empresa é transportadora rodoviária com registro no RNTRC da ANTT, o RCTRC é obrigatório. Confirme que a apólice está vigente, os limites de cobertura são compatíveis com os valores das cargas transportadas, e que todas as operações (incluindo fretes esporádicos e subcontratação de terceiros) estão contempladas. Empresas que terceirizam parte da frota precisam verificar se o RCTRC do transportador contratado está em dia.

3

Compare seguradoras pela cobertura, não apenas pelo preço

O prêmio mais barato raramente é a melhor escolha. Avalie as exclusões e franquias de cada apólice, o prazo médio de regulação de sinistros, a reputação da seguradora no pagamento de indenizações, o nível de suporte operacional oferecido (central 24h, reguladores no interior do país) e a solidez financeira da empresa (consulte os ratings disponíveis no site da SUSEP). Utilize o simulador da ComparaLatam para comparar esses aspectos lado a lado.

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Negocie adequações e módulos complementares

A maioria das seguradoras oferece apólices modulares, onde coberturas adicionais podem ser contratadas separadamente. Negocie a inclusão de coberturas como avaria, rastreamento, assistência 24h e RC Ampliada conforme as necessidades reais da sua operação. Informe à seguradora sobre medidas de segurança já adotadas — como rastreamento próprio e treinamento de motoristas — e solicite desconto baseado nessas contrapartidas de prevenção.

5

Implemente o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR)

O PGR é um conjunto estruturado de procedimentos operacionais de segurança que reduz a probabilidade de sinistros e, consequentemente, o custo do seguro. Um PGR bem implementado contempla: análise prévia de risco das rotas, treinamento periódico de motoristas, protocolos de comunicação durante o transporte, procedimentos para paradas em rota e resposta a emergências. Seguradoras como Tokio Marine e Allianz ofertam descontos de até 25% para empresas com PGR certificado.

6

Revise a apólice anualmente

O perfil de risco de uma transportadora muda ao longo do tempo: novos clientes, novas rotas, mudanças no tipo de carga, expansão da frota ou alterações no cenário de segurança pública das regiões de operação. Revise sua apólice anualmente — sempre antes da renovação — e solicite cotações atualizadas de pelo menos 3 seguradoras para garantir que está obtendo as melhores condições de mercado.

Checklist para gestores logísticos

  • RCTRC vigente e com LMI compatível com o valor médio das cargas transportadas
  • Apólice contempla todas as rotas operadas (estados e regiões)
  • Cobertura de roubo com as contrapartidas de segurança exigidas cumpridas
  • Sistema de rastreamento veicular ativo e em conformidade com a apólice
  • Motoristas treinados sobre procedimentos em caso de sinistro
  • Número da central de sinistros 24h disponível no veículo e para o motorista
  • Prática de averbação de embarques cumprida (quando exigida pela apólice)
  • Documentação de transporte (CT-e e NF-e) sempre acompanhando a carga
  • Histórico de sinistros documentado e acessível para negociação de renovação
  • Cotações comparativas solicitadas com pelo menos 60 dias de antecedência à renovação
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Regulação SUSEP e obrigações legais

O mercado de seguros de transporte de cargas no Brasil opera sob um arcabouço regulatório robusto, que envolve principalmente dois órgãos federais: a SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) e a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). Compreender as obrigações legais é fundamental para garantir conformidade e evitar sanções administrativas.

SUSEP — Regulação dos seguros

A SUSEP é a autarquia federal vinculada ao Ministério da Fazenda responsável pela fiscalização, normatização e controle do mercado de seguros privados no Brasil, incluindo os seguros de transporte de cargas. Todas as seguradoras que operam no país devem ser autorizadas pela SUSEP, e seus produtos devem estar registrados no sistema SUSEP Online. A autarquia publica regularmente rankings de reclamações e índices de pagamento de sinistros, que podem ser consultados gratuitamente em seu portal oficial (susep.gov.br).

As circulares da SUSEP que regulamentam especificamente os seguros de transporte de cargas estabelecem as coberturas mínimas obrigatórias, os prazos máximos para regulação de sinistros (geralmente 30 dias para sinistros sem divergência) e as condições gerais que devem constar nas apólices. Em caso de sinistro não pago dentro do prazo legal, o segurado pode recorrer à SUSEP, que tem poder de aplicar multas e determinar o pagamento compulsório da indenização.

ANTT — Obrigatoriedade do RCTRC

A ANTT regula o transporte rodoviário de cargas no Brasil e torna obrigatória a manutenção do RCTRC para toda transportadora registrada no RNTRC (Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas). A Resolução ANTT nº 3.658/2011 e suas atualizações estabelecem os limites mínimos de cobertura do RCTRC, que variam conforme o tipo e peso máximo da carga transportada. A fiscalização do RCTRC é realizada em postos da PRF (Polícia Rodoviária Federal) e pode resultar em retenção do veículo e multa para o transportador sem apólice vigente.

Penalidades por ausência de RCTRC: Multa de R$5.000 a R$10.000, retenção do veículo até apresentação da apólice e suspensão do RNTRC para reincidentes. A responsabilidade civil pelo dano à carga recai integralmente sobre o transportador sem seguro, podendo resultar em ação judicial de valor equivalente à carga transportada.

LGPD e tratamento de dados no seguro de transporte

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD — Lei nº 13.709/2018) impõe obrigações importantes às seguradoras no tratamento dos dados pessoais dos segurados, motoristas e terceiros envolvidos em sinistros. As seguradoras devem obter consentimento explícito para o uso de dados de rastreamento veicular, limitar o uso desses dados às finalidades declaradas na apólice, e garantir o direito do titular de acessar, corrigir ou excluir seus dados. Para transportadoras, é importante verificar se o contrato com a seguradora inclui cláusula de conformidade com a LGPD e se há política de privacidade clara sobre o uso dos dados de telemetria dos veículos.

Todas as cinco seguradoras comparadas neste guia — Porto Seguro, Tokio Marine, Allianz, Bradesco Seguros e Mapfre — são devidamente autorizadas pela SUSEP e possuem seus produtos registrados no sistema regulatório. A ComparaLatam recomenda sempre verificar a situação cadastral da seguradora no portal da SUSEP antes de contratar qualquer apólice.

Perguntas frequentes

O RCTRC (Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Cargas) é um seguro obrigatório para toda transportadora que opera no modal rodoviário no Brasil. Exigido pela ANTT e regulamentado pela SUSEP, ele cobre os danos causados à carga de terceiros durante o transporte em caso de acidente, roubo ou sinistro imputável ao transportador. A ausência do RCTRC pode resultar em suspensão da licença de operação, multas de até R$10.000 e retenção do veículo em fiscalização da PRF.

É importante notar que o RCTRC cobre a responsabilidade do transportador perante o dono da carga — ou seja, protege o transportador contra ações por danos que ele causou à mercadoria. Ele não substitui o seguro de carga contratado pelo embarcador, que protege a própria mercadoria independentemente de responsabilidade. Toda transportadora rodoviária com RNTRC ativo deve manter o RCTRC vigente, independentemente do porte ou volume de operações.

O RCTRC protege o transportador frente ao dono da carga, cobrindo a responsabilidade civil do transportador por danos à mercadoria sob sua guarda. É obrigatório pela ANTT para todos os transportadores rodoviários registrados no RNTRC. Já o seguro de carga (ou seguro de transporte) é contratado pelo embarcador ou dono da mercadoria para proteger a própria carga contra riscos como colisão, incêndio, roubo e avaria, independentemente de quem seja responsável pelo dano.

Na prática, os dois produtos são complementares: o transportador precisa do RCTRC para operar legalmente e se proteger de ações do embarcador; o embarcador precisa do seguro de carga para garantir a reposição integral de suas mercadorias em caso de perda, sem depender de ação judicial contra o transportador. Grandes embarcadores frequentemente exigem que a transportadora contratada mantenha RCTRC com LMI mínimo como condição contratual.

O custo do seguro de transporte de cargas no Brasil varia amplamente conforme o perfil da operação. Para fins de referência, os prêmios mensais estimados para os produtos analisados neste guia partem de R$100/mês (Porto Seguro, cobertura básica para pequeno transportador) e podem chegar a R$700/mês ou mais (Allianz, cobertura completa para operações de médio porte).

Os principais fatores que determinam o preço são: tipo de carga (eletrônicos e bebidas são mais caros que granéis), valor médio por viagem (Limite Máximo de Indenização), rotas operadas (rotas de alto risco de roubo aumentam o prêmio), histórico de sinistros da empresa, existência de rastreamento veicular e medidas de segurança implementadas. Transportadoras com Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) certificado podem obter descontos de até 25%. Use o simulador gratuito da ComparaLatam para obter cotações reais.

Sim, a maioria das apólices de transporte de cargas de nível intermediário e completo cobre roubo, incluindo assalto mediante violência e furto qualificado. No entanto, as seguradoras impõem contrapartidas de segurança obrigatórias como condição de cobertura: rastreamento GPS ativo com atualização mínima a cada 5 minutos, comunicação imediata ao gestor de frota após o roubo (geralmente até 1 hora), registro de boletim de ocorrência policial em até 24 horas, e acionamento da central da seguradora dentro do prazo estabelecido na apólice.

Para cargas consideradas de alto risco (eletrônicos de consumo, bebidas, cigarros, medicamentos), as exigências de segurança são ainda mais rígidas e podem incluir: dispositivo de bloqueio remoto do veículo, escolta armada para valores acima de determinado limite, restrições de horário de circulação e obrigatoriedade de rota pré-aprovada. O descumprimento de qualquer contrapartida pode resultar em negativa de cobertura ou aplicação de franquia majorada.

Ao ocorrer um sinistro — seja acidente, roubo, tombamento ou avaria — siga estes passos em ordem: (1) Acione a central de atendimento 24h da seguradora pelo número disponível na apólice ou no aplicativo. (2) Registre boletim de ocorrência na delegacia ou PRF mais próxima — obrigatório para roubo, colisão com terceiros e tombamento. (3) Documente o sinistro com fotografias da carga, do veículo e do local do evento. (4) Não mova ou descarte a carga sem autorização expressa do regulador de sinistros da seguradora.

A documentação necessária para regulação do sinistro geralmente inclui: Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e), Nota Fiscal da carga, Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), boletim de ocorrência, laudo do motorista descrevendo as circunstâncias do evento, e relatório fotográfico dos danos. O prazo máximo para comunicação do sinistro à seguradora varia conforme a apólice — geralmente entre 24 e 72 horas para casos de roubo e até 5 dias úteis para avaria.

CM
Carlos Mendoza — Especialista em Seguros de Logística Carlos Mendoza possui mais de 15 anos de experiência no mercado de seguros empresariais na América Latina, com especialização em seguros de transporte de cargas, RCTRC e gestão de riscos logísticos no Brasil. É certificado pela SUSEP como Técnico em Seguros (TS) e colabora regularmente com publicações do setor de logística e seguros. Na ComparaLatam, lidera a análise de produtos de seguros para empresas de transporte, garantindo que as comparações reflitam as condições reais do mercado brasileiro. Atualizado em Março 2026.